Impactos profundos da pandemia no turismo e o reajuste dos influenciadores digitais
A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe uma verdadeira revolução no setor de turismo, com perdas financeiras de bilhões de reais já nos primeiros meses da crise. Esse cenário de incerteza não afetou apenas hotéis, companhias aéreas e agências de viagem, mas também influenciadores digitais especializados nessa área, que precisaram repensar toda uma estratégia de comunicação e engajamento.
O turismo, que movimenta uma enorme parcela da economia mundial, viu uma redução abrupta no interesse e nas viagens, com uma queda de tráfego online estimada em mais de 40%. Essa retração reflete diretamente na audiência dos criadores de conteúdo de viagem, que se viram em um desafio constante para manter relevância, qualidade e conexão com seus públicos em um ambiente marcado pela quarentena e restrições de deslocamento.
Com o visitante físico impossibilitado, o digital passou a ser o principal canal, mas a narrativa mudou. Contar histórias de destinos não era mais incentivado; portanto, os influenciadores tiveram que inventar novas formas de se aproximar dos seguidores. Seja exibindo o cotidiano em casa, compartilhando memórias de viagens passadas ou ensinando técnicas para melhorar fotos e vídeos, essas pessoas criativas buscavam manter a audiência e a interação em tempos difíceis.
Redução significativa no tráfego do setor e desafios enfrentados pelos influenciadores
O setor de turismo enfrentou um baque forte com o avanço do Covid-19. Profissionais do marketing digital rapidamente perceberam que segmentos como viagens sofreriam uma queda de interesse expressiva. Segundo análises detalhadas de especialistas da área, os acessos a conteúdos relacionados a viagens diminuíram mais de 40%, um percentual impactante considerando a dependência que o setor tem do marketing digital para promoção e planejamento de viagens.
Influenciadores com grandes audiências enfrentaram também quedas consideráveis em seus números. Por exemplo, bloggers como Anna Laura Wolff tiveram uma redução superior a 60% na audiência do blog. Essa queda traduz o desafio de manter relevância sem o elemento central do conteúdo: o ato de viajar.
Até mesmo influenciadores com milhões de seguidores, reconhecidos por suas imagens icônicas em destinos paradisíacos, precisaram ajustar o tom. O famoso casal Murad e Nataly Osmann, conhecidos pela pose “Follow me to” popularizada mundialmente, reinventou seu conteúdo para o cotidiano em casa, inspirando seguidores a imaginar viagens através da leitura, da meditação e da prática de yoga, transformando o confinamento em uma experiência que convida à reflexão sobre o mundo exterior.
Esses exemplos revelam a importância de criatividade e flexibilidade para influenciadores, que, diante de uma nova realidade, encontraram rotas alternativas para continuar entregando valor, mesmo sem poder mostrar o que seu público mais deseja: as belezas do mundo.
Estratégias inovadoras para engajamento durante a quarentena
Com as viagens suspensas, os influenciadores digitais de turismo remodelaram suas estratégias, optando por conteúdos que mantivessem a conexão sem incentivar deslocamentos. Muitos passaram a repostar imagens de viagens antigas, contudo, com um diferencial: os posts foram complementados com informações práticas sobre fotografia, edição e gestão de redes sociais, agregando aprendizado à nostalgia.
Perfis como @malaviajante passaram a explorar temas relacionados ao melhor momento para postar no Instagram, técnicas de edição e truques para organizar legendas, despertando interesse mesmo em um público impossibilitado de pensar em viagens no presente.
Já @prefiroviajar, comandado por Amanda Antunes, explorou interatividade e criatividade mostrando como tirar fotos sozinha, criar cenários improvisados no ambiente próximo e criar efeitos visuais, como o de chuva, que transformam imagens comuns em registros especiais. Essa abordagem reforça uma tendência no marketing digital: a busca por conteúdos que sejam úteis e aplicáveis em uma rotina doméstica.
Os criadores de conteúdo em vídeo tiveram seus próprios fermentos, como o casal Daniel e Paula, criadores do canal Num Pulo. Eles aproveitaram transmissões ao vivo para tirar dúvidas, compartilhar técnicas de edição de vídeos e mostrar bastidores, aproximando seus seguidores de processos que geralmente são invisíveis. Esse tipo de conteúdo apresenta uma nova camada de valor, além do típico sonho da viagem ideal, fortalecendo a fidelidade e o engajamento da audiência.
Todas essas ações mostram que o setor de turismo digital não desapareceu com a pandemia, mas se transformou, enfatizando a criatividade, a aprendizagem e a conexão humana em tempos de distanciamento.
Transformações nas estratégias das marcas e novos focos para o marketing de influência
Embora o setor de turismo tenha enfrentado perdas significativas, marcas e estabelecimentos turísticos continuam buscando maneiras de manter a presença junto ao público por meio do marketing de influência. Com orçamentos restritos, a tendência tem sido investir em micro influenciadores, que possuem audiências menores, mas com maior proximidade e autenticidade no relacionamento.
Essa mudança evidencia que os consumidores estão valorizando mais conteúdo autêntico e relatable. Em vez de publicações altamente produzidas e aspiracionais, os públicos buscam histórias reais, que transmitam sensação de coletividade e empatia, especialmente durante tempos de crise.
Um estudo recente mostrou que o engajamento aumenta quando as mensagens refletem o cotidiano, reforçando a ideia de que “estamos juntos nisso”. Essa conexão genuína é fundamental para que marcas continuem relevantes e respeitadas, mesmo com restrições severas impactando diretamente o setor.
Em locais onde o turismo começa a reabrir de forma gradual e controlada, como Campos do Jordão, hotéis de luxo apostam no uso de influenciadores para transmitir segurança, cuidados e detalhes do ambiente para visitantes potenciais. A experiência real dos influenciadores torna-se uma ferramenta poderosa para reduzir dúvidas e incentivar reservas, muitas vezes com muito mais impacto do que campanhas tradicionais diretas.
Além disso, relatos do setor indicam que o retorno provindo de campanhas com micro influenciadores supera, em muitos casos, as iniciativas envolvendo celebridades. Isso reforça a necessidade de analisar não só o alcance, mas a afinidade do público, a relevância da mensagem e o relacionamento do influenciador com seu nicho.
Oportunidades emergentes e o futuro do marketing de influência no turismo
Este período de crise também revelou novas oportunidades para o fortalecimento do marketing de influência. A valorização do trabalho de influenciadores menores e mais nichados abre espaço para uma diversidade maior de vozes e estilos, tornando o setor mais democrático e próximo do público.
Por outro lado, as marcas são desafiadas a entender melhor seu público-alvo, investindo em relacionamentos duradouros e autenticidade, ao invés de uma comunicação pontual, impessoal e baseada exclusivamente em números de seguidores.
Para os influenciadores de turismo, a lição é clara: adaptar-se, inovar e ampliar repertório. Destacar não apenas destinos, mas estilos de vida relacionados, habilidades técnicas e histórias pessoais traz sentido e conecta seguidores mesmo quando não é possível trilharem novas rotas pelo mundo.
Essas transformações indicam uma evolução do marketing de influência, capaz de atravessar crises e se moldar às necessidades de um público que valoriza mais do que apenas imagens bonitas — quer conteúdo relevante, real e empático.